A poesia de Maria Clara Parente
alagamento
eu só posso olhar
o que vejo
a água que caiu
o jeito que foi
superfície de qualquer coisa
a mesa fica torta depois que você conserta
tem tanta coisa para fazer
já tá na hora de dormir
o sábado é sempre mais febril
na minha pele
a água ainda está espalhada
isso só acontece
quando eu tô aqui
*
triagem
às vezes
você acha
que está procurando
grão de areia
no Alasca
mas às vezes
é só lá
que eles podem estar
*
multidão
falando sobre ela
escorre em outra
é todas
pele que grita e ainda arde
bruxas
xamãs
nômades
mulheres
de todos os cantos
desabam certezas criadas
enquanto tangenciam liberdades pouco terrenas
*
Maria Clara Parente é Mestranda em Letras pela PUC-Rio, Maria Clara é jornalista e documentarista. Atualmente, em parceria com a Spanda Produtora, dirige o projeto documental Regenerar.